"Nada se perde, nada se cria, tudo se elabora". Essa paródia que faço da célebre frase de Lavoisier explica muito bem o que eu entendo com o princípio da elaboração. Acho que Lavoisier estava no caminho certo, mas não atentou muito para o lado metafísico, e nem sei se era sua intenção em algum momento, visto que, até onde sei, se tratava de um cientista e não um filósofo por assim dizer. Mas é possível então juntar mundo físico e metafísico? Sim, é mais do que possível: é necessário.
Podemos ver claramente a partir dessas reflexões que muitas coisas existem em comum entre esses dois mundos. Falando dessa forma "dois mundos" parecem coisas tão separadas e distantes, quando na verdade um é apenas o reflexo do outro. Entrarei em detalhes na parte "reflexo" em capítulos posteriores, mas por hora quero me resumir a discorrer sobre o princípio e sua inerência à natureza humana e à natureza do universo, respectivamente os lares dos mundos metafísico e físico.
Em primeiro lugar podemos, de certo modo, admitir o Homo Laborans. Não mais Homo Sapiens ou Homo Faber. Até porque saber é elaborar e fabricar também (sei que o Homo Faber vai para além de fabricar, mas, por exemplo, modificar seu meio também é elaborá-lo). Saber é elaborar? Sim. O homem que sabe de verdade deve ter feito o processo de elaboração antes de adicionar este conhecimento ao seu cérebro. Se não, poderíamos facilmente derrubar a teoria de que os demais animais não pensam. Aliás, já que começamos, vejamos em que se difere este "homem que elabora" dos demais animais.
A teoria (se é que pode-se chamar isso de teoria) mais aceita hoje em dia é de que os animais definitivamente não pensam. Não sei em detalhes o porque de se pensar isso, mas quero discordar desse ponto. O que difere o ser humano dos demais animais não é a capacidade de pensar. Se animais não pensassem, não conseguiriam reconhecer seu dono de forma alguma. Todas as suas reações seriam as mesmas todos os dias e eles nunca aprenderiam nada de novo, nem responderiam a qualquer tipo de estímulo de forma voluntária. Por isso, sim, creio que eles pensem, mas pensam de forma diferente à nossa. Pensam de forma mais limitada. O pensar animal funciona mais ou menos de forma análoga à uma "coleção". Eles colecionam conceitos crus que tiram da observação da natureza ou de seu instinto. Sua mente é uma coleção destes conceitos, mas eles no máximo conseguem retomar estes conceitos de sua coleção. Geralmente os animais não conseguem elaborar estes conceitos, criando outros conceitos, que por sua vez podem ajudar a criar outros conceitos num ciclo infinito de elaboração. Eles apenas tem a ferramenta da consulta e se por acaso conseguirem elaborar algum conceito, eles o fazem de forma muito primitiva, sem projeção de uma evolução daquela ferramenta.
Mas como puderam perceber de antemão, nós seres humanos temos uma forma diferente de pensar. Nós conseguimos elaborar conceitos e algumas vezes prever fenômenos mesmo nunca os tendo presenciados. Podemos "mixar" toda a nossa coleção de conceitos e até mesmo sensações, não somente conceitos. E é ai que entra Arte e a Filosofia. Mas quero não me alongar neste assunto, pois é de minha vontade separar um capítulo para falar somente deste aspecto humano da Arte e da Filosofia. Mas, voltando ao assunto do Homo Laborans, quero agora citar uma passagem bíblica. Não sou religioso (no sentido dogmático), mas vez por outra temos que ouvir um pedaço da palavra do Senhor. Em Gênesis 1:26 e 27, é possível ler algo como "Deus fez o homem à sua imagem e semelhança". Bem, esta crença não é única e exclusiva do cristianismo. Está presente em muitas religiões, e como o princípio da elaboração também se trata de uma religião, não posso deixar de observar este aspecto. Pois bem, nosso Homo Laborans pode muito facilmente ser comparado ao "Deus" em questão. Há apenas uma afixo, muito sugestivo, diga-se de passagem, que difere-nos do Deus deste mundo. O Deus é tudo o que é físico e nós, a imagem e semelhança, somos tudo o que é metafísico. Meta, por sua vez, tem por idéia aquilo que volta-se a si mesmo, algo reflexivo. Mas então, o que seríamos então se não apenas um espelho deste mundo físico? Mas não somos apenas um simples espelho. Algo foi feito para que não apenas refletíssemos o mundo de forma crua, como os animais o fazem. Bem, mas isso é material para um próximo capítulo, espero que este tenha sido esclarecedor o suficiente.
terça-feira, 16 de agosto de 2011
domingo, 14 de agosto de 2011
Dualismo d'Eus
Tudo se baseia, por enquanto, no assumir de duas existências: Deus e Eu. Deus é tudo aquilo que não é Eu. O mundo material e até a matéria que compõe meu corpo é considerado Deus, visto que Eu se trata de um conceito espiritual (não místico). Logo, podemos dividir o mundo em duas partes: A parte física, Deus, composta por átomos e moléculas, o universo; e a parte metafísica, Eu, o pensamento de todos os seres pensantes, "o mundo das ideias". Uso o termo Deus, mas não quero dar nenhum teor místico assim como com espírito ou alma, que usarei também. Mas gosto da palavra Deus por ela conseguir reunir todos os "Eu"s, pois, em minha concepção, trata-se de uma junção "de Eus", "D'eus", Deus. Separo este Deus de nosso Eu interno, pois vejo muita independência em nós mesmos, algo que não se nota tão claro nas demais existências. Poderemos notar isso mais claramente quando observarmos as relações entre essas duas entidades.
Existem quatro tipo de relações que formaram e fazem parte da dinâmica de nosso mundo: As relações Deus-Deus, Eu-Eu, Deus-Eu e Eu-Deus. Podemos tomar o sentir como uma assimilação de Deus, uma alimentação do Eu que devora Deus a cada instante e expande a si mesmo, expande o Eu. O sentir é uma relação Deus-Eu, onde Deus o elemento primeiro relaciona-se enviando ou, mudando o ponto de vista, sendo assimilado pelo segundo elemento, que é Eu. Assim como o expressar é uma oposição a isso, quando nós mostramos o Eu ao mundo, numa relação Eu-Deus. Porém há relações Deus-Deus e Eu-Eu também. Relações Deus-Deus criaram a raça humana por exemplo, da mesma forma que cria-se a todo tempo coisas novas. Ouso dizer que na verdade desde o nascimento do universo essas relações Deus-Deus é que estão criando o Mundo tal como conhecemos, e que na verdade ao invés de uma explosão, presenciamos o crescimento de um organismo infinitamente gigantesco. Essas relações reflexivas (uso reflexivas pois elas voltam-se a si mesmas, nas Deus-Deus é uma elaboração que ocorre de Deus para com o próprio Deus) são relações de elaboração. Quando Deus se elabora ele pode transformar seu “Eu” interno em várias coisas, como planetas, galáxias, átomos, pedras, animais...Vale ressaltar que é da natureza de Deus se elaborar. Caso contrário ainda viveríamos na mesma "bagunça" que era o "começo" do mundo. Há de se notar que a elaboração é algo que ocorre com o tempo e é inerente ao espaço. Comentarei mais isso depois, voltemos ao nosso último tipo de relação.
Nas relações Eu-Eu, há uma elaboração de pensamentos, ideias, conceitos, aos quais encaixo num grupo que denomino Aletérios. O nome vem do grego Alethereis que significa desvelado, verdade ou descoberto. Não vou me prender a esse nome, só é bom situar bem as coisas. Quando uso essa palavra, aletérios, quero dizer que nada do que é feito nas relações Eu-Eu se criam do nada, elas apenas são "descobertas", como se estivessem antes cobertas por um pano ou qualquer outra coisa. Todos os aletérios foram absorvidos do mundo e elaborados em nossas cabeças. Logo, lembrando os conceitos de Lavoisier e os introduzindo ao mundo metafísico, digo que “Nada se perde, nada se cria, tudo se elabora”.Sim, tudo se elabora. Estes aletérios, quando ainda no espaço Deus, são conceitos bem básicos e muito se distanciam de como os concebemos em nossas cabeças. Por exemplo, Heráclito dizia que a as coisas são como um rio, que nunca é o mesmo ao banharmos nele e que nós também nunca somos os mesmos ao banhar no rio. Obviamente que isto não estava escrito no rio e Heráclito apenas teve o trabalho de ler em algum lugar lá. Esse conceito que o filósofo pré-socrático conseguiu adquirir, esse aletério que se instalou em sua mente foi algo que ele "elaborou" de forma processual. Nem sempre temos a sorte de concebermos aletérios em apenas uma relação ou de concebermos aletérios tão complexos como este de Heráclito. Para terminar a reflexão e organizar as ideias fiz uma tabela que resume de forma simples o que falamos neste capítulo:
Existem quatro tipo de relações que formaram e fazem parte da dinâmica de nosso mundo: As relações Deus-Deus, Eu-Eu, Deus-Eu e Eu-Deus. Podemos tomar o sentir como uma assimilação de Deus, uma alimentação do Eu que devora Deus a cada instante e expande a si mesmo, expande o Eu. O sentir é uma relação Deus-Eu, onde Deus o elemento primeiro relaciona-se enviando ou, mudando o ponto de vista, sendo assimilado pelo segundo elemento, que é Eu. Assim como o expressar é uma oposição a isso, quando nós mostramos o Eu ao mundo, numa relação Eu-Deus. Porém há relações Deus-Deus e Eu-Eu também. Relações Deus-Deus criaram a raça humana por exemplo, da mesma forma que cria-se a todo tempo coisas novas. Ouso dizer que na verdade desde o nascimento do universo essas relações Deus-Deus é que estão criando o Mundo tal como conhecemos, e que na verdade ao invés de uma explosão, presenciamos o crescimento de um organismo infinitamente gigantesco. Essas relações reflexivas (uso reflexivas pois elas voltam-se a si mesmas, nas Deus-Deus é uma elaboração que ocorre de Deus para com o próprio Deus) são relações de elaboração. Quando Deus se elabora ele pode transformar seu “Eu” interno em várias coisas, como planetas, galáxias, átomos, pedras, animais...Vale ressaltar que é da natureza de Deus se elaborar. Caso contrário ainda viveríamos na mesma "bagunça" que era o "começo" do mundo. Há de se notar que a elaboração é algo que ocorre com o tempo e é inerente ao espaço. Comentarei mais isso depois, voltemos ao nosso último tipo de relação.
Nas relações Eu-Eu, há uma elaboração de pensamentos, ideias, conceitos, aos quais encaixo num grupo que denomino Aletérios. O nome vem do grego Alethereis que significa desvelado, verdade ou descoberto. Não vou me prender a esse nome, só é bom situar bem as coisas. Quando uso essa palavra, aletérios, quero dizer que nada do que é feito nas relações Eu-Eu se criam do nada, elas apenas são "descobertas", como se estivessem antes cobertas por um pano ou qualquer outra coisa. Todos os aletérios foram absorvidos do mundo e elaborados em nossas cabeças. Logo, lembrando os conceitos de Lavoisier e os introduzindo ao mundo metafísico, digo que “Nada se perde, nada se cria, tudo se elabora”.Sim, tudo se elabora. Estes aletérios, quando ainda no espaço Deus, são conceitos bem básicos e muito se distanciam de como os concebemos em nossas cabeças. Por exemplo, Heráclito dizia que a as coisas são como um rio, que nunca é o mesmo ao banharmos nele e que nós também nunca somos os mesmos ao banhar no rio. Obviamente que isto não estava escrito no rio e Heráclito apenas teve o trabalho de ler em algum lugar lá. Esse conceito que o filósofo pré-socrático conseguiu adquirir, esse aletério que se instalou em sua mente foi algo que ele "elaborou" de forma processual. Nem sempre temos a sorte de concebermos aletérios em apenas uma relação ou de concebermos aletérios tão complexos como este de Heráclito. Para terminar a reflexão e organizar as ideias fiz uma tabela que resume de forma simples o que falamos neste capítulo:
| Relações | Eu | Deus |
| Eu | Induzida – Trata-se da elaboração de conceitos que é uma ação voluntária, mas que não deixa de ser tendenciosa, no sentido de que o ser humano tende a praticá-la | Induzida – São as elaborações do mundo, a fabricação. Construir casas, modelar esculturas, pintar ou simplesmente falar, são elaborações tendenciosas, mas voluntárias. |
| Deus | Natural – O homem não tem a escolha de sentir, isto é algo inato e necessário a sua existência. O próprio respirar, atividade mais básica do metabolismo, é sentir, o que dirá o olhar, o escutar, o tocar. | Natural – Os planetas, as águas, os átomos e as partículas, todas são elaborações que estão intimamente ligadas à natureza do universo. Faz parte da história e junto ao tempo é algo que não se pode parar devido a inerência do processo com a própria Existência. |
quinta-feira, 11 de agosto de 2011
Explicações
Sou estudante de letras inglês e músico, mas sempre fui interessado em Filosofia e venho desenvolvendo uma espécie de Teoria a respeito do mundo, que chamo de Princípio da Elaboração e que não pretende ser revolucionária nem pretende ser seguida por milhares de estudiosos, mas apenas tem como pretensão achar a minha religião. Se alguém mais se identificar, lhe convido para que entre no espaço e discutamos mais a teoria, afim de melhorá-la, de descobri-la.
Quero deixar claro algumas coisas por aqui.
Primeiramente, o que entendo por Religião se aproxima mais do entendimento oriental de religião, que é uma forma de viver ou, como é conhecido no popular, uma "filosofia de vida". Não quero criar dogmas e verdades absolutas sobre o mundo que nos cerca, apenas quero mostrar a mim mesmo um olhar diferente à cerca deste. Este olhar pode lhe agradar e como já disse, sinta-se bem vindo para contribuir com este espaço.
Segundo, quero dizer que escolhi a forma de blog por não considerar como exatamente minha essa teoria. Não posso e nem quero tomar posse de algo que apenas descobri. Um dos princípios fundamentais desta teoria é que "nada se perde, nada se cria, tudo se elabora" (sim, uma paródia de nosso amigo Lavoisier). Estendi este conhecimento para o mundo metafísico também, quando antes era visto como apenas um fenômeno do mundo físico. Explicarei exatamente como fiz e tudo ficará mais claro quando eu começar a expor minhas reflexões feitas a cerca de vários assuntos. Mas em suma, o que quero dizer é que a parte do "seja bem vindo" é uma das partes fundamentais, pois esta teoria assim como tudo neste mundo já existe e já existia desde o primeiro milésimo de segundo do Big bang (não afirmo que concordo com a teoria do big bang, apenas a uso como a "mais aceita" atualmente ou simplesmente como mais uma forma de ver o início).
Terceiro, é importante atentar que esta teoria tem profundas aplicações artísticas devido à minhas inclinações para esta área, mas não se resumem a ela. Há uma parte em que falarei da "Alma espelho" e o leitor notará a aplicação profunda que há com a arte. Esta é, sem dúvida, a parte que me inspira para produzir o meu material artístico, e confesso estar muito interessado em compartilhar com outros artistas. Não quero me prender a isso, mas este ponto era importante ser ressaltado.
No mais o que quero dizer é que espero receber várias contribuições, visto que faz parte da natureza da teoria e da proposta ser compartilhada e apenas "descoberta" por várias pessoas, como arqueólogos que descobrem um fóssil, mas não tomam para eles o nome de "criadores" mas apenas de "descobridores".
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