domingo, 14 de agosto de 2011

Dualismo d'Eus

Tudo se baseia, por enquanto, no assumir de duas existências: Deus e Eu. Deus é tudo aquilo que não é Eu. O mundo material e até a matéria que compõe meu corpo é considerado Deus, visto que Eu se trata de um conceito espiritual (não místico). Logo, podemos dividir o mundo em duas partes: A parte física, Deus, composta por átomos e moléculas, o universo; e a parte metafísica, Eu, o pensamento de todos os seres pensantes, "o mundo das ideias". Uso o termo Deus, mas não quero dar nenhum teor místico assim como com espírito ou alma, que usarei também. Mas gosto da palavra Deus por ela conseguir reunir todos os "Eu"s, pois, em minha concepção, trata-se de uma junção "de Eus", "D'eus", Deus. Separo este Deus de nosso Eu interno, pois vejo muita independência em nós mesmos, algo que não se nota tão claro nas demais existências. Poderemos notar isso mais claramente quando observarmos as relações entre essas duas entidades.
Existem quatro tipo de relações que formaram e fazem parte da dinâmica de nosso mundo: As relações Deus-Deus, Eu-Eu, Deus-Eu e Eu-Deus. Podemos tomar o sentir como uma assimilação de Deus, uma alimentação do Eu que devora Deus a cada instante e expande a si mesmo, expande o Eu. O sentir é uma relação Deus-Eu, onde Deus o elemento primeiro relaciona-se enviando ou, mudando o ponto de vista, sendo assimilado pelo segundo elemento, que é Eu. Assim como o expressar é uma oposição a isso, quando nós mostramos o Eu ao mundo, numa relação Eu-Deus. Porém há relações Deus-Deus e Eu-Eu também. Relações Deus-Deus criaram a raça humana por exemplo, da mesma forma que cria-se a todo tempo coisas novas. Ouso dizer que na verdade desde o nascimento do universo essas relações Deus-Deus é que estão criando o Mundo tal como conhecemos, e que na verdade ao invés de uma explosão, presenciamos o crescimento de um organismo infinitamente gigantesco. Essas relações reflexivas (uso reflexivas pois elas voltam-se a si mesmas, nas Deus-Deus é uma elaboração que ocorre de Deus para com o próprio Deus) são relações de elaboração. Quando Deus se elabora ele pode transformar seu “Eu” interno em várias coisas, como planetas, galáxias, átomos, pedras, animais...Vale ressaltar que é da natureza de Deus se elaborar. Caso contrário ainda viveríamos na mesma "bagunça" que era o "começo" do mundo. Há de se notar que a elaboração é algo que ocorre com o tempo e é inerente ao espaço. Comentarei mais isso depois, voltemos ao nosso último tipo de relação. 
Nas relações Eu-Eu, há uma elaboração de pensamentos, ideias, conceitos, aos quais encaixo num grupo que denomino Aletérios. O nome vem do grego Alethereis que significa desvelado, verdade ou descoberto. Não vou me prender a esse nome, só é bom situar bem as coisas. Quando uso essa palavra, aletérios, quero dizer que nada do que é feito nas relações Eu-Eu se criam do nada, elas apenas são "descobertas", como se estivessem antes cobertas por um pano ou qualquer outra coisa. Todos os aletérios foram absorvidos do mundo e elaborados em nossas cabeças. Logo, lembrando os conceitos de Lavoisier e os introduzindo ao mundo metafísico, digo que “Nada se perde, nada se cria, tudo se elabora”.Sim, tudo se elabora. Estes aletérios, quando ainda no espaço Deus, são conceitos bem básicos e muito se distanciam de como os concebemos em nossas cabeças. Por exemplo, Heráclito dizia que a as coisas são como um rio, que nunca é o mesmo ao banharmos nele e que nós também nunca somos os mesmos ao banhar no rio. Obviamente que isto não estava escrito no rio e Heráclito apenas teve o trabalho de ler em algum lugar lá. Esse conceito que o filósofo pré-socrático conseguiu adquirir, esse aletério que se instalou em sua mente foi algo que ele "elaborou" de forma processual. Nem sempre temos a sorte de concebermos aletérios em apenas uma relação ou de concebermos aletérios tão complexos como este de Heráclito. Para terminar a reflexão e organizar as ideias fiz uma tabela que resume de forma simples o que falamos neste capítulo:


Relações
Eu
Deus
Eu
Induzida – Trata-se da elaboração de conceitos que é uma ação voluntária, mas que não deixa de ser tendenciosa, no sentido de que o ser humano tende a praticá-la
Induzida – São as elaborações do mundo, a fabricação. Construir casas, modelar esculturas, pintar ou simplesmente falar, são elaborações tendenciosas, mas voluntárias.
Deus
Natural – O homem não tem a escolha de sentir, isto é algo inato e necessário a sua existência. O próprio respirar, atividade mais básica do metabolismo, é sentir, o que dirá o olhar, o escutar, o tocar.
Natural – Os planetas, as águas, os átomos e as partículas, todas são elaborações que estão intimamente ligadas à natureza do universo. Faz parte da história e junto ao tempo é algo que não se pode parar devido a inerência do processo com a própria Existência.

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