Existem quatro tipo de relações que formaram e fazem parte da dinâmica de nosso mundo: As relações Deus-Deus, Eu-Eu, Deus-Eu e Eu-Deus. Podemos tomar o sentir como uma assimilação de Deus, uma alimentação do Eu que devora Deus a cada instante e expande a si mesmo, expande o Eu. O sentir é uma relação Deus-Eu, onde Deus o elemento primeiro relaciona-se enviando ou, mudando o ponto de vista, sendo assimilado pelo segundo elemento, que é Eu. Assim como o expressar é uma oposição a isso, quando nós mostramos o Eu ao mundo, numa relação Eu-Deus. Porém há relações Deus-Deus e Eu-Eu também. Relações Deus-Deus criaram a raça humana por exemplo, da mesma forma que cria-se a todo tempo coisas novas. Ouso dizer que na verdade desde o nascimento do universo essas relações Deus-Deus é que estão criando o Mundo tal como conhecemos, e que na verdade ao invés de uma explosão, presenciamos o crescimento de um organismo infinitamente gigantesco. Essas relações reflexivas (uso reflexivas pois elas voltam-se a si mesmas, nas Deus-Deus é uma elaboração que ocorre de Deus para com o próprio Deus) são relações de elaboração. Quando Deus se elabora ele pode transformar seu “Eu” interno em várias coisas, como planetas, galáxias, átomos, pedras, animais...Vale ressaltar que é da natureza de Deus se elaborar. Caso contrário ainda viveríamos na mesma "bagunça" que era o "começo" do mundo. Há de se notar que a elaboração é algo que ocorre com o tempo e é inerente ao espaço. Comentarei mais isso depois, voltemos ao nosso último tipo de relação.
Nas relações Eu-Eu, há uma elaboração de pensamentos, ideias, conceitos, aos quais encaixo num grupo que denomino Aletérios. O nome vem do grego Alethereis que significa desvelado, verdade ou descoberto. Não vou me prender a esse nome, só é bom situar bem as coisas. Quando uso essa palavra, aletérios, quero dizer que nada do que é feito nas relações Eu-Eu se criam do nada, elas apenas são "descobertas", como se estivessem antes cobertas por um pano ou qualquer outra coisa. Todos os aletérios foram absorvidos do mundo e elaborados em nossas cabeças. Logo, lembrando os conceitos de Lavoisier e os introduzindo ao mundo metafísico, digo que “Nada se perde, nada se cria, tudo se elabora”.Sim, tudo se elabora. Estes aletérios, quando ainda no espaço Deus, são conceitos bem básicos e muito se distanciam de como os concebemos em nossas cabeças. Por exemplo, Heráclito dizia que a as coisas são como um rio, que nunca é o mesmo ao banharmos nele e que nós também nunca somos os mesmos ao banhar no rio. Obviamente que isto não estava escrito no rio e Heráclito apenas teve o trabalho de ler em algum lugar lá. Esse conceito que o filósofo pré-socrático conseguiu adquirir, esse aletério que se instalou em sua mente foi algo que ele "elaborou" de forma processual. Nem sempre temos a sorte de concebermos aletérios em apenas uma relação ou de concebermos aletérios tão complexos como este de Heráclito. Para terminar a reflexão e organizar as ideias fiz uma tabela que resume de forma simples o que falamos neste capítulo:
| Relações | Eu | Deus |
| Eu | Induzida – Trata-se da elaboração de conceitos que é uma ação voluntária, mas que não deixa de ser tendenciosa, no sentido de que o ser humano tende a praticá-la | Induzida – São as elaborações do mundo, a fabricação. Construir casas, modelar esculturas, pintar ou simplesmente falar, são elaborações tendenciosas, mas voluntárias. |
| Deus | Natural – O homem não tem a escolha de sentir, isto é algo inato e necessário a sua existência. O próprio respirar, atividade mais básica do metabolismo, é sentir, o que dirá o olhar, o escutar, o tocar. | Natural – Os planetas, as águas, os átomos e as partículas, todas são elaborações que estão intimamente ligadas à natureza do universo. Faz parte da história e junto ao tempo é algo que não se pode parar devido a inerência do processo com a própria Existência. |
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